Domingo, 28 de Outubro de 2007

Fim da plenitude

E chega ao fim. Chega o fim do sentimento e da esperança, dos sonhos de sermos nós, para sempre. Das noites em que me tocavas em sonhos e eu sabia que havias chegado para ficar.

Nada. Chega o nada e a plenitude desapareceu por si própria, como se fosse sendo consumida aos poucos, e se tivesse naturalmente extinguido. É o fim das juras de amor, das palavras que foram proferidas de acordo com o coração e que nunca serão esquecidas.

Serás sempre uma memória feliz, sem mágoas nem tristeza, que permanecerá para sempre comigo, mesmo que a luz tenha já sido apagada.

Não me arrependo, afinal não nos podemos arrepender das melhores coisas que fizeram parte da nossa vida e que, de certa forma,  nos construiram. Porque foi isso que aconteceu, criaste uma nova parte de mim, aquela que aceita o que a vida me traz e é capaz de guardar sem mágoa as partes mais tristes da minha existencia. Contigo aprendi a aceitar-me, a ser eu e a gostar de ser eu, a ser confiante e a saber que o que faço pode não estar correcto, mas pretende ser correcto.

É isto que fica quando não temos mais nada, as recordações de uma etapa acabada mas da qual não saímos perdedores.

Gostarei sempre de ti, da pessoa que és independentemente daquilo que os outros querem que sejas. Foi isso que sempre amei em ti, e que vou esconder na parte mais inetrior de mim mesma, para que nunca acabe.

 

Mary, 28 de Outubro de 2007

sinto-me: mais crescida
música: hey there delilah
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publicado por Mary às 11:30

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Quarta-feira, 8 de Agosto de 2007

Distância

casal_precepicio.gif

A distância.

Pode ser dolorosa, exasperante, desmotivadora, cruel... mas pode também ser minimizada por uma sintonia de pensamentos, atitudes e sentimentos.

 Podemos ao mesmo tempo estar tão longe e tão perto de alguém.

É assim que eu te sinto, dentro de mim mas na realidade tão longe.

Não te vejo,

não te toco,

não te oiço,

apenas te sinto.

 Vejo-te em cada pensamento, em cada sonho inconsciente, em cada memória que recorta a tua imagem. Tocas bem no fundo de mim a cada palavra gravada naqueles papeis que impõem a tua presença. Estás presente em cada segundo meu, em cada palavra, em cada sopro de existência. Permaneces aqui, mesmo que tenhamos tantos quilómetros de chão entre nós.

Vives em mim, habitas-me e sempre me habitarás, porque és parte de mim.

 

Mary, 8 de Agosto de 2007

sinto-me: saudosa
publicado por Mary às 21:00

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Domingo, 5 de Agosto de 2007

Reencontro

Escrever-te. Escrever-te de novo e talvez como sempre. Voltaste. Estás aqui, único e como sempre te vi, verdadeiro áquilo que foste e sem medo falar daquilo que já passou. Ai como eu sentia falta daquela conversa, de perceber tudo o que sempre foi incompreensível. Pergunto-me se não era isso que eu buscava no meio de toda a escuridão.

Voltar a falar contigo, aquelas conversas que não são apenas efémeras palavras que se apagam instantaneamente. Como sentia saudade do teu sorriso verdadeiro, que me abraça e dá a certeza que voltaste.

Será que fui mesmo eu que te criei? Será que alguma vez te perdi? Não sei. Mas talvez sempre tenhas existido e não tenha sido eu a perder-te, penso que te perdeste de ti mesmo. Encontrei-te e sei que aos poucos também te encontras e voltas a ti.

Foste tanto e continuaste sempre a sê-lo. Conforta-me saber que nunca nos esqueceste, que nunca nos enganaste. Sempre te guardei nem que só para mim, mesmo quando eu própria tinha dúvidas da tua veracidade.

Voltar ao nosso mar de existência, mergulhar nos nossos pensamentos e sentir que sou preenchida em cada característica, em cada pormenor. Voltaste a ser iluminado por aquela luz que teimou em nunca se extinguir completamente, que fez questão de sempre me lembrar de quem eras.

 

Mary, 5 de Agosto de 2007

sinto-me: bem
música: Dilemma (outra vez?)
publicado por Mary às 11:21

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Sábado, 16 de Junho de 2007

Lembrança

Não sei porque teimo em lembrar-te. Não sei porque insisto em obrigar-me a viver-te mesmo contra a minha vontade. Respiras dentro de mim, habitas-me e sei que sempre me habitarás, nem que seja no oculto de uma memória que não permite ser esquecida. Voltar a escrever sobre ti é tão injusto,  existem tantas outras pessoas que merecem ser lembradas muito mais do que tu. Na realidade não me abandonas nem um segundo, fazes parte de mim, foste o principal responsável pela pessoa em que me tornei depois desta metamorfose que me impuseram sem eu própria saber como. Guardo-te dentro de mim, tu que és pedaço de vitalidade em cada pormenor, em cada pensamento, em cada pedaço da minha personalidade.

 

Esta noite voltei a sonhar contigo, já nem me lembrava da sensação que é acordar e saber que nunca mais voltaremos a ser os mesmos, que nunca mais voltaremos a ser nós. Recordar-te é tão doloroso, reacende dentro de mim toda a injustiça, toda a revolta, todo o medo da escuridão. Mas, às vezes, enfrento-me e lembro-te nem que seja inconscientemente, como neste sonho, e é através de todas estas pequenas sensações que eu ganho força para acreditar que valeu a pena, que não foi em vão. Serviste nem que para me fazer crescer.

Permaneces naquele cantinho iluminado de mim, naquele lugar bonito que criei para ti, penso que nunca serás substituído. Sei que muitos não entendem o porquê desta recordação tão querida, tão amada, tão eternamente cor-de-rosa. Nem eu me consigo compreender em tudo o que está relacionado contigo.

A razão, a verdadeira palavra que encerra em si todo o significado é o Amor. Amor. Só pode ter sido amor, só ele pode obrigar a perdoar todas as crueldades, todas as maldades, todas as mentiras, todos os enganos. Só ele pode curar todas as feridas e fazer com que ultrapasse todas as defesas que criei para impedir que voltasses a magoar-me.

 

Bem dentro de mim eu sei que não existes, que nunca exististe, que nunca foste verdadeiramente o meu anjo. Criei-te, moldei-te, fiz-te à minha medida, sem imperfeições que me impedissem de te amar. Tudo se perdeu no nosso mar, naquela praia de semelhanças que pareciam ter sido criadas pelo destino. Agora, sei que apesar de não existires eu continuo a admirar a pessoa que criei, nem que só para mim, mesmo que tu próprio penses e queiras ser esquecido.  

 

Mary, 16 de Junho de 2007 

sinto-me: nostálgica
publicado por Mary às 12:45

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Quinta-feira, 3 de Maio de 2007

Saudade

Saudade.

Tenho saudades de quando éramos duas almas num só ser, de quando nos completávamos, de quando nos bastávamos um ao outro para ser perfeitos.

Tenho saudades daquele mundo à parte que ambos criámos para ser habitado por nós, um mundo à nossa medida, sem defeitos nem imperfeições, em que cada detalhe se tornava principal, mas não tão principal como a nossa presença.

Queria poder assegurar-me de que vais para sempre guardar contigo tudo o que eu te dei, de que o nosso mundo nunca vai escurecer, de que vamos para sempre permanecer perfeitos, nem que apenas numa memória quase apagada pelo tempo.

Queria que o reflexo de nós durasse eternamente, que nunca deixássemos de ser iluminados, que nos reordásse-mos de nós mesmo depois de sermos esquecidos pela vida.

Sei que tudo isto é apenas ilusão de uma inaudita história que de tão perfeita se aniquilou naturalmente.

Costumavasse dizer que a esperança era a última a morrer, agora entendo por que razão. Porque eu morri antes da esperança e ela permanece no esboço daquela em que me tornarei, mesmo que o ideal fosse condená-la por me ter matado. Finalmente percebo que a esperança é imortal, porque esperança é apenas um eufemismo de sonho, e sem sonho não há vida.

Agora tenho apenas de me regenerar, de me reconstruir para poder voltar a ser eu, certamente diferente da minha antiga pessoa, mas eu.

 

Mary , 3 de Abril de 2007

sinto-me: pronta para renascer
música: Cada lugar teu
tags: ,
publicado por Mary às 21:10

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Quarta-feira, 25 de Abril de 2007

Adeus

 

A palavra mais triste é a do Adeus, aquela em que nos despedimos e comprometemos a deixar para trás um passado utópico. Virar as costas e dar um passo em frente que realmente nos faça proguedir, nos faça permanecer neste mundo nem que seja obrigatoriamente, à espera de uma luz, na esperança de voltar a ter esperança. Começo a pensar que somos apenas escravos da nossa alma inconsciente que teima em fazer-nos acreditar em algo tão perfeito que não tem lugar neste mundo cheio de imperfeições. Não quero acreditar que fomos apenas uma impossibilidade incorrecta, uma realidade irreal. Permaneço neste mundo somente para tentar voltar a viver, "não vivo, estou apenas a matar o tempo". Já não sei o que é ter-te aqui, já não me lembro de como é sentir a tua presença a implorar-me para que esteja sempre presente. Obrigada por saberes proteger-me, obrigada por saberes cuidar de mim, se ao menos todos fossem como tu... Tentei, tentei de todos os modos ingorar o nosso tempo ultrapassado, falsificar a nossa existencia e fingir que nunca fomos nós. A verdade é que não consigo, não consigo voltar a viver. Resido numa busca desesperada de um último abraço, de um último carinho, de que tenhas a consideração de pelo menos me dares a palavra fria, ingrata e dolorosa do adeus. Queria poder explicar ao mundo como é a escuridão, mas não é fácil de entender.

 

Mary, 25 de Abril de 2007

 

sinto-me: proibida de viver
música: Fácil de entender
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publicado por Mary às 20:56

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Quarta-feira, 18 de Abril de 2007

Questão à identidade

Uma pergunta que não encontra uma resposta simples, perdida no meio de uma infindável história. Já havia algum tempo desde a última vez que tinha colocado esta questão a mim mesma, talvez por ser demasiado complexa, por ter demasiados inconvenientes, ou até, mais provavelmente, por ser demasiado dolorosa. A ferida ainda não sarou, penso que anestesiar só alivia a dor momentaneamente para poder preparar-me para uma nova recaída. A verdade é que esta ferida é profunda de mais, causada por algo demasiado forte para o qual ainda não se encontrou um medicamento. Ando cansada, cansada de mais para me colocar questões com este grau de dificuldade, prefiro finjir que me preocupo com uma vida que na realidade não está completa, que não é a minha vida, não tenho um rumo, apenas pequenas metas que vão sendo ultrapassadas com benevolência, e que me desgastam faseadamente. Tento esconder-me na sombra da pessoa que já fui, refugiar-me numa identidade que vai sendo construída aos bocados. Não sei se vou conseguir voltar a ser a mesma pessoa, não sei se algum dia me vou libertar de ti. Começo a acreditar que nunca me abandonarás, estás presente em tudo: no meu falso sorriso, no meu olhar baço, na irracionalidade da minha alma, no universo do meu ser, nem que seja apenas com o intuito de me ajudares, meu Anjo.

 

Mary, 18 de Abril de 2007

 

sinto-me: sem resposta
música: porquê
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publicado por Mary às 21:17

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Quarta-feira, 28 de Março de 2007

Anjo

Anjo. Cheguei à conclusão de que é esta a palavra que melhor te qualifica, não só pelo branco puro que te descreve, mas também, e principalmente, porque de uma certa forma és tu que me proteges e me fazes chegar à razão. Anjo. Ajudas-me sem uma segunda intenção, apenas com o intuito de me fazer sentir melhor. Anjo. Porque me fazes bem.

Voltei a olhar as nossas recordações, as nossas memórias, os nossos momentos, a nossa felicidade que deixámos ultrapassar pelo tempo. São pedaços de nós gravados em cada palavra, em cada foto, em cada música, e são esses fragmentos do nosso passado que não nos deixam esmurecer. A cada dia que passa tenho mais certeza que nunca me abandonarás, porque deixaste uma parte do teu ser caravado na minha alma e ajudaste a construir esta nova pessoa em que me tornei depois de ti. Permanecerás sempre em mim, nem que seja numa lembrança, num sonho, numa ténue esperança de sermos nós, para sempre.

Sei que nunca me abandonarás, meu anjo, que aos poucos, tornas o meu mundo rosa choque, outra vez.

                                                                                                        Mary, 28 de Março de 2007

sinto-me: protegida
música: angel of mine
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publicado por Mary às 17:35

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