Quarta-feira, 8 de Agosto de 2007

Distância

casal_precepicio.gif

A distância.

Pode ser dolorosa, exasperante, desmotivadora, cruel... mas pode também ser minimizada por uma sintonia de pensamentos, atitudes e sentimentos.

 Podemos ao mesmo tempo estar tão longe e tão perto de alguém.

É assim que eu te sinto, dentro de mim mas na realidade tão longe.

Não te vejo,

não te toco,

não te oiço,

apenas te sinto.

 Vejo-te em cada pensamento, em cada sonho inconsciente, em cada memória que recorta a tua imagem. Tocas bem no fundo de mim a cada palavra gravada naqueles papeis que impõem a tua presença. Estás presente em cada segundo meu, em cada palavra, em cada sopro de existência. Permaneces aqui, mesmo que tenhamos tantos quilómetros de chão entre nós.

Vives em mim, habitas-me e sempre me habitarás, porque és parte de mim.

 

Mary, 8 de Agosto de 2007

sinto-me: saudosa
publicado por Mary às 21:00

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Domingo, 5 de Agosto de 2007

Reencontro

Escrever-te. Escrever-te de novo e talvez como sempre. Voltaste. Estás aqui, único e como sempre te vi, verdadeiro áquilo que foste e sem medo falar daquilo que já passou. Ai como eu sentia falta daquela conversa, de perceber tudo o que sempre foi incompreensível. Pergunto-me se não era isso que eu buscava no meio de toda a escuridão.

Voltar a falar contigo, aquelas conversas que não são apenas efémeras palavras que se apagam instantaneamente. Como sentia saudade do teu sorriso verdadeiro, que me abraça e dá a certeza que voltaste.

Será que fui mesmo eu que te criei? Será que alguma vez te perdi? Não sei. Mas talvez sempre tenhas existido e não tenha sido eu a perder-te, penso que te perdeste de ti mesmo. Encontrei-te e sei que aos poucos também te encontras e voltas a ti.

Foste tanto e continuaste sempre a sê-lo. Conforta-me saber que nunca nos esqueceste, que nunca nos enganaste. Sempre te guardei nem que só para mim, mesmo quando eu própria tinha dúvidas da tua veracidade.

Voltar ao nosso mar de existência, mergulhar nos nossos pensamentos e sentir que sou preenchida em cada característica, em cada pormenor. Voltaste a ser iluminado por aquela luz que teimou em nunca se extinguir completamente, que fez questão de sempre me lembrar de quem eras.

 

Mary, 5 de Agosto de 2007

sinto-me: bem
música: Dilemma (outra vez?)
publicado por Mary às 11:21

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Sábado, 16 de Junho de 2007

Lembrança

Não sei porque teimo em lembrar-te. Não sei porque insisto em obrigar-me a viver-te mesmo contra a minha vontade. Respiras dentro de mim, habitas-me e sei que sempre me habitarás, nem que seja no oculto de uma memória que não permite ser esquecida. Voltar a escrever sobre ti é tão injusto,  existem tantas outras pessoas que merecem ser lembradas muito mais do que tu. Na realidade não me abandonas nem um segundo, fazes parte de mim, foste o principal responsável pela pessoa em que me tornei depois desta metamorfose que me impuseram sem eu própria saber como. Guardo-te dentro de mim, tu que és pedaço de vitalidade em cada pormenor, em cada pensamento, em cada pedaço da minha personalidade.

 

Esta noite voltei a sonhar contigo, já nem me lembrava da sensação que é acordar e saber que nunca mais voltaremos a ser os mesmos, que nunca mais voltaremos a ser nós. Recordar-te é tão doloroso, reacende dentro de mim toda a injustiça, toda a revolta, todo o medo da escuridão. Mas, às vezes, enfrento-me e lembro-te nem que seja inconscientemente, como neste sonho, e é através de todas estas pequenas sensações que eu ganho força para acreditar que valeu a pena, que não foi em vão. Serviste nem que para me fazer crescer.

Permaneces naquele cantinho iluminado de mim, naquele lugar bonito que criei para ti, penso que nunca serás substituído. Sei que muitos não entendem o porquê desta recordação tão querida, tão amada, tão eternamente cor-de-rosa. Nem eu me consigo compreender em tudo o que está relacionado contigo.

A razão, a verdadeira palavra que encerra em si todo o significado é o Amor. Amor. Só pode ter sido amor, só ele pode obrigar a perdoar todas as crueldades, todas as maldades, todas as mentiras, todos os enganos. Só ele pode curar todas as feridas e fazer com que ultrapasse todas as defesas que criei para impedir que voltasses a magoar-me.

 

Bem dentro de mim eu sei que não existes, que nunca exististe, que nunca foste verdadeiramente o meu anjo. Criei-te, moldei-te, fiz-te à minha medida, sem imperfeições que me impedissem de te amar. Tudo se perdeu no nosso mar, naquela praia de semelhanças que pareciam ter sido criadas pelo destino. Agora, sei que apesar de não existires eu continuo a admirar a pessoa que criei, nem que só para mim, mesmo que tu próprio penses e queiras ser esquecido.  

 

Mary, 16 de Junho de 2007 

sinto-me: nostálgica
publicado por Mary às 12:45

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Quinta-feira, 3 de Maio de 2007

Saudade

Saudade.

Tenho saudades de quando éramos duas almas num só ser, de quando nos completávamos, de quando nos bastávamos um ao outro para ser perfeitos.

Tenho saudades daquele mundo à parte que ambos criámos para ser habitado por nós, um mundo à nossa medida, sem defeitos nem imperfeições, em que cada detalhe se tornava principal, mas não tão principal como a nossa presença.

Queria poder assegurar-me de que vais para sempre guardar contigo tudo o que eu te dei, de que o nosso mundo nunca vai escurecer, de que vamos para sempre permanecer perfeitos, nem que apenas numa memória quase apagada pelo tempo.

Queria que o reflexo de nós durasse eternamente, que nunca deixássemos de ser iluminados, que nos reordásse-mos de nós mesmo depois de sermos esquecidos pela vida.

Sei que tudo isto é apenas ilusão de uma inaudita história que de tão perfeita se aniquilou naturalmente.

Costumavasse dizer que a esperança era a última a morrer, agora entendo por que razão. Porque eu morri antes da esperança e ela permanece no esboço daquela em que me tornarei, mesmo que o ideal fosse condená-la por me ter matado. Finalmente percebo que a esperança é imortal, porque esperança é apenas um eufemismo de sonho, e sem sonho não há vida.

Agora tenho apenas de me regenerar, de me reconstruir para poder voltar a ser eu, certamente diferente da minha antiga pessoa, mas eu.

 

Mary , 3 de Abril de 2007

sinto-me: pronta para renascer
música: Cada lugar teu
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publicado por Mary às 21:10

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